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5 de junho de 2020

A transformação digital foi acelerada no Brasil em função da pandemia de Covid-19, revela a a 31ª Edição da Pesquisa Anual do Mercado Brasileiro de TI e Uso nas Empresas, divulgada pelo FGVcia, Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), nesta quinta-feira, 04/06. Uma das medidas imediatas foi a decisão de migrar os pacotes de gestão empresarial.

O estudo mostra ainda que os gastos com tecnologia das empresas ficaram em 8% em 2019, mesmo com a crise econômica, mantendo uma equivalência com 2017 e 2018. Importante lembra que o setor de TIC tem respondido, no mesmo período, por algo em torno de 6% a 8% no Produto Interno Bruto do Brasil. A pandemia de Covid-19, pontuou, vai dar um impulso nos gastos em 2020.

Do ponto de vista de aportes, o estudo revela que as grandes corporações estão dedicando mais recursos para a Governança de TI, Inteligência Artificial e IoT (Internet das Coisas).

Os bancos seguem como os maiores investidores em tecnologia com 15,7% em média. A novidade foi o setor de serviços aportar 11,4% do faturamento líquido em tecnologia. “TI virou pilar dos negócios”, avalia Meirelles. Mas há segmentos que têm muito por fazer, como o setor de indústrias, com 4,8% e o comércio, na rabeira, com 3,8%. A pesquisa da FGV ouviu 2.622 médias e grandes empresas em 2019. Um resumo da pesquisa pode ser acessado em: www.fgv.br/cia/pesquisa


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28 de maio de 2020

 

 

Nas organizações tradicionais as áreas verticais definem a estrutura da companhia as quais permitem organizar as pessoas e seu trabalho normalmente cada uma das áreas procuram cumprir com seus objetivos, porem os serviços ou produto final entregue aos clientes é o resultado da interação de diferentes áreas.

Algumas das entradas das organizações são transformadas em produto e serviços através de processos, os processos mais importantes são transversais as áreas verticais da companhia.

Algumas perguntas importantes sobre a visão tradicional das organizações podem ser formuladas por exemplo:

  • Os processos são cumpridos?
  • As políticas são cumpridas?
  • Os tempos estabelecidos são cumpridos?
  • É possível fazer acompanhamento do processo facilmente?

Quando as organizações dão mais as áreas verticais que aos processos, criam se barreiras devido a que cada uma das áreas tenham um ponto de vista parcial, só entende as ações realizadas por ela.

Os objetivos particulares de cada uma das áreas são mais importantes que os objetivos gerais da organização.

Os indicadores começam a medir objetivos particulares esquecendo a medição da operação completa.

Tudo isso leva que a tomada de decisões, esteja orientada a solução de problema particulares e não a solução de problemas gerais.

Quando a organização é orientada aos processos a operação da companhia se centra neles, as áreas verticais ainda são importantes para organizar as pessoas, porém a gerencia centra se no controle dos processos.

Já que a gestão esta orienta da aos processos, os donos desempenham um papel muito importante dentro da organização.

É o dono dos processos que conhece e entende dos processos desde do começo até ao fim, pelo que se pode analisar os indicadores considerando a operação completa orientando a tomada de decisões ao cumprimento dos objetivos gerais da organização

 


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18 de maio de 2020

CEO da biofarmacêutica Sorrento Therapeutics afirma que o anticorpo STI-1499 pode oferecer “100% de bloqueio” ao vírus

Na Califórnia, a empresa biofarmacêutica Sorrento Therapeutics afirmou, na tarde desta sexta-feira (15), que encontrou um anticorpo que pode proteger o corpo humano do coronavírus. É o anticorpo STI-1499, que, segundo a empresa, pode oferecer “100% de bloqueio” ao vírus.

Em entrevista ao Fox News, o fundador e CEO da Sorrento Therapeutics, Dr. Henry Ji, afirmou que o anticorpo realmente representa uma cura. “Queremos enfatizar que existe uma cura. Existe uma solução que funciona 100%. Se você tiver o anticorpo neutralizante em seu corpo, não precisará do distanciamento social. É possível abrir a sociedade sem medo”, disse Ji.

O CEO da Sorrento Therapeutics explicou que o anticorpo bloqueia a entrada do vírus na célula humana: “Quando o anticorpo impede que um vírus entre na célula humana, o vírus não consegue sobreviver. Se ele não consegue entrar na célula, não pode se replicar. Então, isso significa que, se impedirmos que o vírus pegue a célula, o vírus acaba morrendo. O corpo elimina esse vírus”.

O anúncio da empresa é resultado de testes pré-clínicos que estavam sendo desenvolvidos com centenas de anticorpos diferentes. Os resultados dos testes feitos pela Sorrento Therapeutics, no entanto, ainda não foram submetidos a uma publicação revisada por pares.

Ações da empresa disparam

Depois do anúncio, as ações da Sorrento Therapeutics dispararam 244%, de acordo com o Business Insider. O valor de mercado da Sorrento Therapeutics, que na quinta-feira (14), era de U $ 549 milhões, chegou a quase US$ 1,9 bilhão nesta sexta.


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14 de abril de 2020

WASHINGTON – O mundo enfrenta uma crise de magnitude comparada à da Grande Depressão, de 1929, e o momento atual tem um nome dado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI): a Grande Paralisação. Segundo o FMI, o tombo atual é bem pior do que a crise de 2008 e pela primeira vez desde a década de 30 fará tanto economias avançadas quanto emergentes e países em desenvolvimento entrarem em recessão.

Os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus fizeram o fundo fazer revisões extraordinárias nas suas projeções. A expectativa dos economistas do FMI é de que atividade econômica mundial caia 3% em 2020. Para o Brasil, a previsão é de que a economia encolha 5,3% neste ano e cresça 2,9% em 2021.

O Brasil terá um tombo maior e recuperação mais fraca do que a América Latina e Caribe. Em conjunto, países da região devem ter uma queda de 5,2% na atividade em 2020, com recuperação de 3,4% em 2021.

A diferença na intensidade da recuperação fica mais gritante quando o País é comparado com economias avançadas. A projeção de crescimento do Brasil em 2020 é 7,5 pontos menor do que a estimativa de janeiro. No caso das economias avançadas, a diminuição na projeção é de 7,7 pontos porcentuais, com expectativa de encolhimento de 6,1% da atividade neste ano.

Em 2021, no entanto, essas economias – que incluem Estados Unidos, zona do euro e Japão, por exemplo – crescerão 4,5%, uma alta de 2,9 pontos na comparação com a perspectiva de janeiro. O Brasil, por sua vez, deve crescer 2,9%, um aumento de apenas 0,6 ponto porcentual na comparação com as estimativas do início do ano.

Os dados são parte do Panorama Econômico Global, relatório em que o Fundo divulga suas projeções. Desta vez, as 37 páginas tiveram lugar para agradecimento aos profissionais de saúde e defesa das medidas de distanciamento social como tentativa de conter a disseminação do vírus.

As perspectivas do FMI para o Brasil são menos otimistas do que as do mercado financeiro e bem diferentes das do governo. No último relatório Focus, a projeção mediana do mercado para o PIB deste ano era de retração de 1,96%. O governo revisou há pouco menos de um mês as projeções e, já em meio às consequências da pandemia, não previu queda no crescimento, mas estabilidade, com 0,02% de resultado no PIB.

Se confirmada a projeção do FMI, o País viverá sua pior recessão desde 1901. A retração mais alta registrada na história recente foi uma queda de 4,35% na atividade econômica em 1990, ano do Plano Collor I.

Desemprego em alta

Também em 2020, 14,1% da população brasileira deve estar desempregada, partindo de uma taxa no ano passado de 11,9%. Em 2021, os desempregados serão 13,5% da sociedade. O nível de desemprego no País será mais alto que o de qualquer nação das Américas do Sul e do Norte – os dados de desemprego na Venezuela não foram estimados pelo FMI.

Mas o crescimento da massa de desempregados será bem maior nos Estados Unidos, por exemplo, que vivia a taxa mais baixa de desemprego dos últimos 50 anos, ao redor de 3,7%, e deve ter 10,4% da população sem trabalho em 2020.

A renda per capita do Brasil também deve cair mais do que a renda per capita média mundial. Enquanto o mundo deve diminuir em 4,2% a renda por pessoa, no Brasil a queda será de 5,9%. Em 2021, a expectativa é de aumento de 2,2% na renda no País, que já não tinha muitos motivos para comemorar nesse quesito desde 2014.

Em janeiro, quando o coronavírus tinha mostrado seus efeitos na China e ameaçava países da Europa, o fundo estimou crescimento global de 3,3% em 2020 e 3,4% em 2021. Apesar da marcha lenta e da “estabilização com recuperação sem ânimo”, como definiu em Davos a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, havia sinais positivos. Um deles era a trégua na guerra comercial entre China e EUA.

No relatório divulgado nesta terça-feira, no entanto, quando o mundo chega aos 2 milhões de casos confirmados de coronavírus e 120 mil mortes, o FMI fala em uma crise sem precedentes. “A perda cumulativa para o PIB global entre 2020 e 2021 pela crise da pandemia podem ser em torno de US$ 9 trilhões, maior do que as economias do Japão e da Alemanha combinadas”, escreveu a economista-chefe do fundo, Gita Gopinath.

Em meio à pandemia, a atividade econômica mundial deve cair 3,0% em 2020 e crescer 5,8% em 2021. Os EUA, país com maior número de casos e mortes no mundo, terão resultados de -5,9% neste ano e +4,7% no ano que vem.

Na zona do euro, também severamente afetada com recordes diários de mortes ao longo do mês de março na Itália e na Espanha, o encolhimento previsto para 2020 é de 7,5%, com alta de 4,7% em 2021.

China e Índia devem conseguir resultado de crescimento positivo, mesmo em meio à recessão mundial. Os chineses devem crescer 1,2% neste ano – 4,8 ponto porcentual a menos do que as estimativas do início do ano – e 9,2% no ano que vem. A Índia deve crescer 1,9% em 2020 e 7,4% em 2021.

Piores cenários

Mesmo o resultado de 2020 e a recuperação estimada para 2021 podem ser revistos, pois a retomada depende de variáveis que ainda não se apresentaram, como o fim do contágio pelo vírus. Para que as projeções se concretizem, alerta o FMI, é preciso que a pandemia se dissipe ao longo do segundo semestre, permitindo a reabertura gradual das economias, e que ações políticas tomadas pelos países sejam efetivas para prevenir falências, perda de empregos e tensões financeiras.

Caso contrário, outros três cenários mais sombrios são traçados na instituição. No primeiro deles, o Fundo considera que a luta contra a disseminação do vírus se alongue por 2020. Na segunda hipótese, a previsão é de que uma segunda onda de contágio mais branda ocorra durante o próximo ano.

A terceira possibilidade combina os dois cenários anteriores. A queda na atividade econômica global pode ser de 3 a 8 pontos porcentuais maior do que a já prevista nesses casos.

Outros fatores difíceis de estimar estão colocados no centro da discussão, como a eficácia dos esforços de contenção da crise, a extensão das interrupções de fornecimento, as mudanças nos padrões de gastos e comportamentais e os preços voláteis das commodities. “Os riscos de um resultado pior predominam”, aponta o Fundo.

“Essa crise é como nenhuma outra. Primeiro, o choque é grande. Segundo, como em uma guerra ou crise política, há uma incerteza contínua e severa sobre a duração e a intensidade do choque. Terceiro, nessas circunstâncias há um papel muito diferente para a política econômica. Em crises normais, os formuladores de política tentam incentivar a atividade, estimulando a demanda agregada o mais rápido possível. Desta vez, a crise é em grande parte consequência da necessidade de medidas de contenção. Isto torna o estímulo à atividade mais desafiador e, pelo menos para a maioria dos setores, indesejável”, escreveu Gina Gopinath.

Travessia

Os números foram elaborados depois de os economistas terem conversado com epidemiologistas, especialistas em saúde pública, em doenças contagiosas e com os que têm trabalhado nas terapias para a covid-19. Para os economistas, há duas fases para enfrentamento da crise. A primeira etapa é de contenção e estabilização seguida pela fase de recuperação.

“Quarentenas, paralisações, e distanciamento social são críticos para desacelerar o contágio, dar ao sistema de saúde tempo para lidar com a demanda e comprar tempo para os pesquisadores tentarem desenvolver terapias e vacinas. Estas medidas podem ajudar a evitar uma queda ainda mais severa e prolongada da atividade econômica e preparam o terreno para recuperação”, afirma a economista.

Enquanto isso, o fundo defende que os formuladores de políticas garantam que os cidadãos tenham necessidades básicas atendidas e que empresas estejam aptas a retomar a produção quando a fase aguda da crise passar. Nos países com grandes setores informais, como emergentes e nações em desenvolvimento, o FMI sustenta que programas de apoio devem ser expandidos e novos devem ser criados.

A chave para atravessar a crise, segundo o Fundo, será a cooperação multilateral. Países devem compartilhar equipamentos e experiência para reforçar os sistemas de saúde pelo mundo e precisam garantir que países ricos e pobres tenham acesso imediato às terapias e vacinas, quando desenvolvidas.

A comunidade internacional também deve providenciar assistência financeira aos países emergentes e economias em desenvolvimento, que não têm folga fiscal para pacotes de estímulo como os já adotados em lugares como os EUA, que projetou um socorro econômico de US$ 2 trilhões.

Comércio

O volume de comércio mundial deve cair 11% em 2020. Em 2021, a recuperação é parcial, de 8,4%. A expectativa do fundo é de que as exportações dos países emergentes caiam 9,6% neste ano e cresçam 11% no ano que vem.

O preço das commodities deve recuar, com queda em 42% no preço do petróleo e de 1,1% nas commodities não relacionadas ao combustível. No ano que vem, o valor das commodities não ligadas a combustível deve cair mais 0,6%.

 

Via Terra


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14 de abril de 2020

O Ministério da Saúde tem atualizado diariamente as evidências descritas na literatura internacional sobre diagnóstico e tratamento de coronavírus (COVID-19). Desde o dia 5 de abril, o Grupo de Inteligência COVID-19, da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, tem reunido as evidências publicadas em artigos. Até esta segunda-feira (13), foram catalogados e avaliados 146 estudos. “A ciência tem sido uma das principais armas utilizadas pelo Ministério da Saúde no combate à COVID-19. Desde o início da pandemia, buscamos a ciência para orientar e subsidiar os gestores e profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) na tomada de decisão”, destaca o Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Denizar Vianna.

Além de resumir cada estudo identificado, a publicação, que em breve estará disponível em www.saude.gov.br/coronavirus traz também uma avaliação da qualidade metodológica e a quantidade de artigos publicados, de acordo com a sua classificação metodológica (revisões sistemáticas, ensaios clínicos randomizados, entre outros). A avaliação da qualidade metodológica é essencial, pois somente ela pode trazer indícios do grau de confiança de uma pesquisa.

“É fundamental que estejamos atualizados sobre as opções terapêuticas que vêm sendo avaliadas pelos diferentes países com casos de COVID-19. É uma forma de identificarmos lacunas de evidência que nos auxiliarão na priorização de pesquisas e na otimização de recursos públicos investidos nesta área”, explica a diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Camile Giaretta.

Síntese de Evidências 

O Ministério da Saúde também tem elaborado uma série de Revisões Sistemáticas Rápidas, que permitem a identificação de evidências já disponíveis na literatura para subsidiar os gestores na tomada de decisão no SUS. O trabalho é executado pelo Núcleo de Evidências (NeV) da Coordenação de Evidências e Informações Estratégicas para a Gestão em Saúde do Decit/SCTIE que, atualmente, também conta com a colaboração de pesquisadores externos.

Atualmente, o Ministério da Saúde produz 12 produtos relacionados a evidências para apoio à tomada de decisão, como Sumário de Resumos, que categoriza, quantifica e sumariza resumos de determinadas temáticas; Revisão Rápida, que apresenta uma síntese qualitativa ou quantitativa de estudos sobre determinadas temáticas; e Parecer Técnico Científico, que inclui informações econômicas, avaliação metodológica dos estudos incluídos e recomendações.

Segundo Daniela Fortunato, coordenadora de Evidências e Informações Estratégicas para Gestão em Saúde do Ministério da Saúde, esses estudos podem ser utilizados em diferentes contextos. Podem auxiliar, por exemplo, na identificação de opções políticas para o enfrentamento de um problema ou uma emergência em saúde pública; na resolução de dúvidas científicas dos gestores de saúde federais; além de colaborarem na priorização, formulação e implementação tanto de políticas públicas e programas de saúde como de prioridades de pesquisa para o SUS.

Até o momento, oito estudos foram realizados e deverão ser disponibilizados em breve. Entre os temas estão, por exemplo, Revisão Sistemática Rápida Sobre Alternativas Terapêuticas Para Coronavírus Humano; um Inventário de Referências sobre a Covid-19 e uso Racional de Medicamentos: Ibuprofeno e outros antinflamatórios não-esteroidais, inibidores de enzima conversora de angiotensina e bloqueadores de receptores de angiotensina, além de outro que investigou a resposta imunológica e reinfecção de COVID-19.

O grupo está em fase de produção de outros sete estudos relacionados ao novo coronavírus; entre eles uma Revisão Sistemática Rápida Sobre Eficácia e Segurança da Cloroquina e Hidroxicloroquina (Isoladas Ou Em Associação) para COVID-19; uma Revisão sobre segurança da reutilização de máscara N95, FPP2 e FPP3 e uma Revisão Sistemática Rápida que avaliará o impacto das medidas de isolamento social.

“Boa parte das ações do Ministério é pensada e desenvolvida a partir dos levantamentos das evidências científicas que os nossos técnicos vêm realizado. Esse trabalho tem sido fundamental para analisarmos quais são as estratégias de enfrentamento mais adequadas e indicadas ao nosso contexto. Nessa guerra contra o vírus, a ciência é, sem dúvida, a saída mais segura e estruturante dessa crise”, afirma Denizar Vianna.

As informações são do Ministério da Saúde

 

Informação via Terra

 


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25 de março de 2020
Saiba como a tecnologia contribui para o atendimento ao paciente e gestão operacional.
No episódio 02 da primeira temporada do podcast Saúde Business – oferecido pela Hospitalar, Fabrícia Loro, Lúcia Moreira e Marcelo Boeger – painelistas do Congresso de Hotelaria e Facilities Hospitalar – debatem como a tecnologia e a inovação estão revolucionando o atendimento ao cliente. Programe-se para a Hospitalar 2020, agora no São Paulo Expo.


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25 de março de 2020

Os serviços de hotelaria em hospitais nunca foram simples, mas desde o início dos casos de Coronavírus (COVID-19) no Brasil, ganharam responsabilidades ainda maiores, pois incrementaram os riscos para o colaborador e para pacientes diante desta nova doença. Frente a isso, necessitamos revisar alguns processos importantes para que possamos apoiar na redução da transmissão dentro e fora do hospital. Apresentaremos aqui algumas medidas que devem ser avaliadas pelos gestores das áreas de hotelaria e pelo representante do controle de infecção hospitalar que estão revisitando seus processos diante da pandemia.

Todas as medidas que aqui serão discutidas são apenas ideias que temos implementado em alguns serviços há menos de sete dias ou discutidas em grupos entre gestores de hospitais.

Toda iniciativa para reduzir a circulação do vírus nos hospitais e para apoiar em “achatar a curva” para que o sistema de saúde não fique sobrecarregado e consiga atender com eficácia todos os pacientes graves, que precisam de internação ou unidade de terapia intensiva (UTI) é válida e deve ser ajustada para cada situação. Ou seja, cada hospital deve avaliar as ideias aqui discutidas conforme suas instalações, infra estrutura, capacidade operacional e contingente existente.

Uma das primeiras medidas e uma das mais básicas, seria afastar da equipe de hotelaria os colaboradores do grupo de risco. Lembrando que são considerados grupo de risco, os idosos, os diabéticos, os hipertensos, aqueles que tem insuficiência renal crônica, doença respiratória crônica ou cardiovascular. Muitas vezes encontramos nesta área pessoas com este perfil.

Além disso, devemos reforçar o time de higiene com todo seu contingente, e sendo necessário considerar até eliminar férias neste período e revendo as escalas. Nosso volume de trabalho aumentou muito frente a esta nova situação e as equipes já são normalmente reduzidas. Já era desafiador em situações normais de temperatura e pressão – agora teremos que revisitar as tarefas, a insalubridade e ainda mais a motivação da equipe.

A)    ACESSO e ÁREAS COMUNS

– Serviço de Manobrista

Em grande parte dos hospitais privados, o principal acesso do cliente é de carro. Em função da situação que vivemos, devemos ter atenção aos serviços de manobrista e a novos padrões. Devemos estabelecer novas regras e treinar a equipe para a higienização dos artigos que tenha contato (volante, botões, maçaneta, sensor do carro) tanto antes de entrar no veículo como na entrega ao cliente, pois pode ser um paciente positivado ainda não diagnosticado. Além disso a lavagem das mãos com gel alcoólico deve ser realizada antes e depois de cada carro manobrado e o uso de máscara deve ser considerado durante o trajeto e manobra.

– Serviço de Ascensorista

A necessidade do Serviço de Ascensorista deve ser avaliada em função de sua criticidade. Alguns hospitais têm elevadores pequenos cujo distanciamento seria inferior a 1M e 1M e meio. Talvez possa ajustar a sua função para restringir a quantidade de pessoas e limitar o número de pessoas simultâneas dentro do elevador.

– Equipe exclusiva para Limpeza de Superfícies das áreas comuns

Assim como temos as equipes para limpeza terminal e concorrente, nesta fase crítica, podemos criar uma equipe exclusiva para Limpeza de Superfícies das áreas comuns. Esse é um dos maiores riscos de transmissão devido ao alto tempo de permanência em superfícies. Segundo diversos estudos e publicações recentes sobre o COVID-19, este vírus consegue permanecer em superfície por até 4 dias em vidro, 5 dias em plástico, até 8 horas em alumínio, 4 dias em madeira e 48 horas em superfícies de metal.

Devemos capacitar as equipes para esta tarefa e ter controles específicos para os itens de maior manuseio pelos que circulam neste ambiente como por exemplo, o corrimão das escadas, botão de elevadores (dentro e fora), maçanetas das áreas comuns, interruptores, válvula de descarga dos banheiros entre outros. A rota do Pronto Socorro para a sala de coleta, para as unidades de internação e UTIs devem receber especial atenção desta equipe, incluindo os ambientes da sala de espera, cadeira de rodas e a reposição do álcool gel – sempre com uso do respectivo EPI.

Devemos repensar também a higiene das ambulâncias que chegam com pacientes. Eles deverão obedecer também a um critério de higiene terminal do ambiente do veículo antes de transportar um próximo paciente. Isso também vale para os veículos de transporte interno.

– Restrição para Visitantes e Acompanhantes

Hospitais devem repensar nas regras de acesso para visitantes e acompanhantes, considerando em primeiro lugar, o grupo de risco – que deve ser proibido. Nas UTIs, em casos não relacionados ao coronavírus, deve ser proibido acompanhantes e limitar a visita para 1x ao dia em apenas uma pessoa sem revezamento. Para pacientes positivados ou sob suspeita, não deve ser permitido visitas e nem acompanhantes – salvo pacientes que apresentem necessidades especiais. Neste caso, sem a possibilidade de revezamento, para reduzir e desencorajar o número de pessoas no acesso ao ambiente hospitalar.

B)    PACIENTE INTERNADO:

– Resíduo Sólido

Para o Serviço de Nutrição e Dietética, os profissionais vêm utilizando material descartável nas unidades de isolamento e todo resíduo (orgânico e os próprios descartáveis) estão sendo desprezados no saco branco (resíduo infectante) para evitar qualquer cruzamento em copa ou cozinha das rotas sujas e limpas. O mesmo procedimento tem sido usado para o resíduo de banheiro, como infectante, para que não se misture com resíduo comum e evite a errada segregação.

– Concorrente e Terminal das Unidades

Na área de higiene, para equipe de concorrente e terminal no quarto, deve ser reforçado os pontos de maior manuseio e contato como maçanetas (dentro e fora), interruptores, esfigmomanômetro, controles remoto, suporte de soro, a chamada de enfermagem, a mesa de refeição, a válvula de descarga entre outros.  Aqueles hospitais que utilizam equipamento de UV-C, deve usar antes da higiene terminal e estender para unidades de atendimento em ambientes fechados do Pronto Socorro e salas de SADT. O UV-C passa através das paredes celulares, sendo absorvido pelo DNA, RNA e proteínas resultando na eliminação do vírus. Isso vale também para aqueles que usam equipamentos de Desinfecção por Vaporização e Aerossolização (composto de prata e peróxido) ou que usam Sistemas de Desinfecção Eletrostática com indução por Dióxido de Cloro.

Alguns hospitais de fora do país, que já enfrentam o problema há mais tempo, tem segregado as cadeiras de rodas usadas e macas após o transporte por pacientes positivados ou sob suspeita. Deixam em uma sala exclusiva (como um expurgo) e realizam a desinfecção antes de colocá-las novamente em uso, a fim de garantir um maior controle.

– Equipe de Manutenção

A higiene do ar condicionado, a troca de filtros, limpeza da caixa deve receber maior atenção das equipes nas unidades com pacientes positivados. Dado o volume, os pacientes em isolamento não ficarão somente em leitos com sistema de pressão negativa. Periodicamente uma equipe deve limpar estes ambientes, desde a casa de máquinas de ar condicionado até os sistemas contaminados de acordo com a NBR-14679 assim como as áreas internas que dão suporte à toda operação.

– Coleta de Enxoval

Para o transporte de enxoval, não existem mudanças diferentes daquilo que já cobre a legislação. Mas deve estar atento, principalmente na rota suja, com as determinações já conhecidas de ANVISA, referente a evitar ao máximo a movimentação do enxoval sujo, evitando a disseminação de partículas, impedindo a disseminação de microorganismos naquele ambiente. Deve colocar a roupa cuidadosamente e diretamente dentro do hamper que deve ter sua capacidade obedecida e ser fechado no momento do transporte.

Para o processamento de roupas, se deve seguir o mesmo processo de uso dos EPIS para os colaboradores da área suja que já funcionava nas condições da época Pré-COVID. Tanto na higiene de superfícies e ambientes, os mesmos produtos químicos servem para este momento, devemos estar mesmo atentos aos procedimentos, diluições, frequência etc.

– Óbitos

No caso de ocorrer óbitos relacionado à esta doença, deve se saber que o vírus permanece ativado em fluídos corpóreos, assim como nas superfícies ambientais – que deverão ser higienizadas após a remoção do corpo – desde o leito, da maca, do necrotério e do veículo de transporte do serviço funerário.

– Fake News

Por último, outra iniciativa que os hospitais vêm fazendo está em neutralizar as chamadas Fakes News, como áudios de supostos médicos falando em nome da Instituição com informações desestruturadas em redes sociais e grupos de whatsapp. Hospitais já estão lidando com problemas demais para ter que se preocupar com mais isso neste momento tão crítico.

Para reduzir os efeitos, hospitais por meio de suas assessorias de imprensa, emitem boletins diários com informações a respeito das internações relacionadas ao COVID-19, casos confirmados, internados em apartamentos, em UTIs, etc: a ideia está em estruturar a informação de forma oficial.

Texto de Marcelo Boeger

Via: Hospitais Brasil